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Litoral de SP terá mais negócios e menos veraneio com pré-sal

O litoral de São Paulo deve perder nos próximos anos o perfil de balneário –concentração de turistas em feriados e temporada–, trocar imóveis de veraneio por residências fixas, ver avançar o turismo de negócios e acirrar a disputa entre morador e visitante por bens e serviços.

O pivô é o pré-sal, petróleo achado nas profundezas da bacia de Santos, cuja exploração deve injetar R$ 209 bilhões na região até 2025 –o equivalente ao Orçamento de 150 anos de Santos, a maior cidade da costa paulista.

O cenário é traçado na Avaliação Ambiental Estratégica, um estudo de impacto dos investimentos decorrentes do pré-sal elaborado por uma consultoria contratada pelo governo do Estado.

O “boom” econômico que se avizinha, porém, levará pressão a serviços de saúde e educação e agravará os problemas ambientais e sociais. A população deve saltar dos atuais 2 milhões de pessoas para 2,5 milhões em 2025, expansão de 23%, bem acima da esperada para o país no período, de 9,9%.

Fonte: Folha Online

População de jararaca-ilhoa despenca

A jararaca-ilhoa poderia estar no melhor dos mundos: vive na ilha deserta de Queimada Grande, no litoral paulista, e não tem predadores. Pesquisadores apontam, porém, que a população da serpente, que tem um dos venenos mais poderosos do mundo, caiu pela metade. Eles afirmam ter fortes indícios de que a causa seja o tráfico desses animais.

Segundo Otavio Marques, biólogo e diretor do Laboratório Especial de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, entre 1995 e 1998 eram encontradas, em média, 46 serpentes (Bothrops insularis) por dia. E, entre 2007 e 2008, o número caiu para 22 serpentes por dia.

04.set.2001/Patrícia Santos/Folha Imagem

Pesquisadores do Butantan dizem que população da serpente, que tem um dos venenos mais poderosos do mundo, caiu pela metade.

As informações estão publicadas na revista “South American Journal of Herpetology”.

A jararaca-ilhoa só existe em Queimada Grande. Como na ilha não há pequenos mamíferos que ela possa capturar, a espécie se adaptou a uma dieta de aves, e desenvolveu um veneno ultratóxico para evitar que o almoço escape.

Pesquisadores vão a Queimada Grande quatro vezes por ano, com patrocínio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ali eles ficam na companhia da jararaca-ilhoa por cinco dias, sempre com um médico a tiracolo e um barco para garantir que chegarão a terra sem demora caso sejam picados.

Nessas viagens, os próprios cientistas já foram abordados por traficantes de animais. Em março deste ano, por exemplo, a aluna de mestrado da USP Karina Kasperoviczus recebeu uma oferta de um homem em São Vicente. “Ele me ofereceu R$ 25 mil para cada exemplar que trouxesse. Disse que ficaríamos ricos”, contou.

Em outra visita, os cientistas foram informados de que dias antes pesquisadores do Butantan com caixas de isopor estiveram em Queimada Grande para coletar serpentes –entretanto, ninguém do instituto tinha ido ao local no período.

Na lista vermelha de ameaçados de extinção, a espécie já consta como “criticamente em perigo”. A estimativa é que haja cerca de 2.000 animais. Para deixar a contagem mais precisa, começam a ser usados métodos como a marcação de animais com microchip.

A Renctas (ONG que combate o tráfico de animais) disse que já recebeu denúncias anônimas de tráfico de jararacas-ilhoas e que alertou o governo, mas nada foi feito. Elas seriam vendidas para colecionadores de répteis na Europa e Ásia. Alguns sites também ofereciam a cobra. “Ela é considerada a jóia da coroa por colecionadores”, disse Dener Giovanini, coordenador-geral da ONG.

Além disso, existe a possibilidade de a espécie interessar a biopiratas. O veneno da jararaca comum (B. jararaca) já originou drogas como o regulador de pressão arterial Captopril. “Eu tenho certeza de que há tráfico. Só não sei se é um grupo organizado”, disse Marques.

Antigamente, a ilha –localizada a cerca de 35 km da costa sul, entre Itanhaém e Peruíbe– tinha moradores que mantinham um farol em funcionamento. Hoje, o local é desabitado e o farol é automático.

Para Marques, é inviável manter um barco monitorando em tempo integral a ilha –os custos são muito altos. Uma das saídas que ele propõe é fazer da área um parque estadual ou federal e incentivar o turismo para mergulho na região. Os turistas poderia intimidar os traficantes.

Outro plano em negociação é instalar em Queimada Grande câmeras que disparam automaticamente quando alguém passa. Giovanini concorda que é preciso de tecnologia para afastar os criminosos, já que o risco de manter pessoas na ilha é grande. Para prevenir a extinção da jararaca-ilhoa, Marques pretende criar a espécie em cativeiro. Mas ainda busca recursos para concretizar a idéia.

Fonte:  Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u462038.shtml