Litoral de SP terá mais negócios e menos veraneio com pré-sal

O litoral de São Paulo deve perder nos próximos anos o perfil de balneário –concentração de turistas em feriados e temporada–, trocar imóveis de veraneio por residências fixas, ver avançar o turismo de negócios e acirrar a disputa entre morador e visitante por bens e serviços.

O pivô é o pré-sal, petróleo achado nas profundezas da bacia de Santos, cuja exploração deve injetar R$ 209 bilhões na região até 2025 –o equivalente ao Orçamento de 150 anos de Santos, a maior cidade da costa paulista.

O cenário é traçado na Avaliação Ambiental Estratégica, um estudo de impacto dos investimentos decorrentes do pré-sal elaborado por uma consultoria contratada pelo governo do Estado.

O “boom” econômico que se avizinha, porém, levará pressão a serviços de saúde e educação e agravará os problemas ambientais e sociais. A população deve saltar dos atuais 2 milhões de pessoas para 2,5 milhões em 2025, expansão de 23%, bem acima da esperada para o país no período, de 9,9%.

Fonte: Folha Online

Itanhaém e Caixa Econômica fecham parceria para construção de 500 casas

A Prefeitura de Itanhaém e a Caixa Econômica Federal assinaram nesta sexta-feira contrato para a construção de 500 casas, dentro da segunda fase do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal.

As obras da primeira fase, com 584 unidades, já estão em andamento.
De acordo com o superintendente regional da Caixa na Baixada Santista, José Paulo Gomes de Amorim, as unidades serão entregues daqui a seis meses. “É bom saber o quanto a Prefeitura está envolvida com esse projeto”, destacou Amorim. Conforme ele, 744 famílias estão cadastradas no programa.

Para o prefeito João Carlos Forssell, a construção das casas irá atender a demanda da população carente da Cidade  “É o maior número de imóveis construídos na região. Vamos dar às famílias uma moradia digna”, assegurou Forssell. “Quando chover, não teremos mais a preocupação de ter pessoas desabrigadas no município, pois vamos priorizar as que moram em áreas de risco e nos empenhar para trazer escolas e outros serviços nas imediações das casas”.

Também estiveram presentes na assinatura vereadores e representantes das secretarias de Habitação e de Obras e Desenvolvimento Urbano e da Empresa Implan, responsável pela construção das casas.

Fonte:  A Tribuna On-line

Programa do Governo oferece 90% de desconto em medicamentos

O Programa Farmácia Popular em Itanhaém oferece redução de até 90% na compra de medicamentos. O programa já atendeu no último ano mais de 750 receitas oriundas da rede pública de saúde ou privada.

Entre os medicamentos que têm desconto estão aqueles para diabetes, como Metformina e Glibenclamida; para hipertensão, como Atenolol, Enalapril, Captopril, Hidroclorotiazida, Furosemida e Mononitrato de Isossorbida; para moderador de colesterol, como Sinvastatina; para úlcera gástrica, como omeprazol e ranitidina; antialérgicos; medicamentos para gota; reumatismo; antibióticos; psicoativos; além de contraceptivos em geral, inclusive a emergencial do dia seguinte; Azatioprina; e preservativos masculinos.

Para a compra dos medicamentos é necessário comparecer na avenida Harry Forssell, 1.505, no Jardim Sabaúna, e apresentar a receita médica ou odontológica. O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h30, e aos sábados, das 8 às 12 horas. Mais informações pelos telefones 3427-2768 ou 3427-2736.

Fonte: A Tribuna

Moradora registra pinguins e tartaruga mortos em praia do litoral sul de SP

Animais apareceram mortos em Itanhaém.
Pesquisadores tentam descobrir a causa das mortes.

Silvana Silva -Internauta, São Paulo, SP


Seis pinguins e uma tartaruga marinha apareceram mortos na praia em Itanhaém (SP)
Seis pinguins e uma tartaruga marinha apareceram mortos na praia (Foto: Silvana Silva/VC no G1)

Estava passeando pela praia de CIbratel em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, quando avistei seis pinguins e uma  tartaruga marinha mortos na beira da praia. Também percebi que tinha manchas pretas pela praia, algo parecido com um cola preta.
Mais de 200 animais marinhos foram encontrados mortos nas areias das praias da Baixada Santista e Litoral Sul de São Paulo entre sexta-feira (16) e sábado (17). Técnicos investigam a causa da mortandade, que pode estar ligada à frente fria associadas a correntes marítimas.

Fonte: G1

Curso de surf gratuito em Itanhaém

O slogan “Surfando nas ondas da sustentabilidade” fez surgir a primeira escola de ensino de surf e educação ambiental do país com aulas gratuítas de surf, ativismo, mobilização e educação socioambiental para jovens de Itanhaém (SP).

O projeto da Escola Ecosurfi (Entidade Ecológica dos Surfistas) faz parte do programa Surf Sustentável iniciado pela entidade no último ano e que constroi a aliança dos surfistas pelo meio ambiente.

A escola traz como ações do projeto político e pedagógico os temas fortes como protagonismo dos surfistas, educomunicação, gestão costeira, cultura surf, consumo e juventude, surf e meio ambiente.

Na perspectiva dos temas fortes para estudo, é possível construir com os alunos o diagnóstico socioambiental da praia por meio da metodologia do Mapeamento Socioambiental Participativo também conhecida como “Green Map” que é utilizada pela entidade.

Esporte e cidadania E quando o assunto são as atividades físicas promovidas pela pratica do surf, o projeto conta com o acompanhamento de profissionais contratados que ministrarão as aulas na praia, com objetivo de promover avaliações periódicas dos alunos, para que seja observado o desenvolvimento da parte muscular e motora de cada participante.

Um dos avanços que a escola busca garantir, é usar da atividade esportiva e socioambiental para melhorar a qualidade de vida de cada aluno e formar cidadãos responsáveis por meio do esporte.

As aulas serão gratuitas e acontecem nas terças e quintas em dois períodos matutinos e vespertinos, no meio da praia dos Sonhos em Itanhaém.

Ecosurfi Neste mês de julho a Ecosurfi completa os seus primeiros 10 anos de fundação, década que brinda a execução de diversos projetos socioambientais realizados pela organização.

Todas as iniciativas que partem da entidade visam o enraizamento de práticas voltadas à proteção do patrimônio ambiental da área costeira por meio da educação ambiental crítica e emancipatória dentro da perspectiva do empoderamento social dos valores que fortalecem praticas sustentáveis.

Entre os projetos de destaque da ONG que é desenvolvida, vale destacar o programa “Surf Sustentável”, os projetos “Rio do Nosso Bairro” e “A Onda é Agua Limpa”, além das ações pontuais como exposições, cursos e palestras e as campanhas “Vamos Limpar o Mundo – Dia Mundial da Limpeza de Rios e Praias” e “Valeu Praia”.

As inscrições podem ser feitas pelos telefones (0xx13) 3426-8138, 9751-0332 ou na sede da Ecosurfi, que fica localizada à rua Maria Deolinda Assunção Salles, 80, Jardim Mosteiro.

Para obter mais informações sobre o projeto, acesse o site Surf Sustentável ou Ecosurfi.org.

Quiosques abandonados na orla da Cidade estão sendo vistoriados pela Prefeitura


De 2005 até hoje, já foram demolidos 19 estabelecimentos que apresentavam sinais de degradação. Após a atuação, Itanhaém passou a contar com 131 quiosques

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, por meio do Setor Municipal de Fiscalização do Comércio, está atuando na inspeção de quiosques abandonados nas praias da Cidade. De 2005 até hoje, já foram demolidos 19 estabelecimentos que apresentavam sinais de degradação. Após a atuação, Itanhaém passou a contar com 131 quiosques.
A ação foi efetuada após levantamento feito pelo Departamento Municipal de Comércio para certificar quais estabelecimentos ainda estavam em condições de funcionamento. Os donos de locais que não estavam de acordo com as normas foram notificados; aqueles que não atenderam à notificação tiveram os quiosques derrubados.
De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Vinícius Camba, a ação tem o objetivo de restaurar a orla e proporcionar um melhor ambiente aos munícipes e turistas. “O intuito foi de corrigir uma situação de deterioração dos quiosques na orla, pois estavam abrigando moradores de rua e vândalos, criando embaraço aos residentes próximos a estes quiosques e não atendendo satisfatoriamente os turistas que visitam nossa Cidade”.
Segundo o Departamento Municipal de Comércio, o Setor de Fiscalização continuará a realizar vistorias nos quiosques da orla da Cidade, pois ainda existem processos em andamento a serem analisados. O procedimento é efetuado com base na Lei nº 3.618, de 18 de março de 2010, que autoriza a demolição de quiosques abandonados no Município.
Fonte: Departamento de Comunicação Social da Prefeitura de Itanhaém

Quiosques abandonados na orla da Cidade estão sendo vistoriados pela Prefeitura
De 2005 até hoje, já foram demolidos 19 estabelecimentos que apresentavam sinais de degradação. Após a atuação, Itanhaém passou a contar com 131 quiosques
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, por meio do Setor Municipal de Fiscalização do Comércio, está atuando na inspeção de quiosques abandonados nas praias da Cidade. De 2005 até hoje, já foram demolidos 19 estabelecimentos que apresentavam sinais de degradação. Após a atuação, Itanhaém passou a contar com 131 quiosques.
A ação foi efetuada após levantamento feito pelo Departamento Municipal de Comércio para certificar quais estabelecimentos ainda estavam em condições de funcionamento. Os donos de locais que não estavam de acordo com as normas foram notificados; aqueles que não atenderam à notificação tiveram os quiosques derrubados.
De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Vinícius Camba, a ação tem o objetivo de restaurar a orla e proporcionar um melhor ambiente aos munícipes e turistas. “O intuito foi de corrigir uma situação de deterioração dos quiosques na orla, pois estavam abrigando moradores de rua e vândalos, criando embaraço aos residentes próximos a estes quiosques e não atendendo satisfatoriamente os turistas que visitam nossa Cidade”.
Segundo o Departamento Municipal de Comércio, o Setor de Fiscalização continuará a realizar vistorias nos quiosques da orla da Cidade, pois ainda existem processos em andamento a serem analisados. O procedimento é efetuado com base na Lei nº 3.618, de 18 de março de 2010, que autoriza a demolição de quiosques abandonados no Município.

Fonte: Departamento de Comunicação Social da Prefeitura de Itanhaém

População de jararaca-ilhoa despenca

A jararaca-ilhoa poderia estar no melhor dos mundos: vive na ilha deserta de Queimada Grande, no litoral paulista, e não tem predadores. Pesquisadores apontam, porém, que a população da serpente, que tem um dos venenos mais poderosos do mundo, caiu pela metade. Eles afirmam ter fortes indícios de que a causa seja o tráfico desses animais.

Segundo Otavio Marques, biólogo e diretor do Laboratório Especial de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan, entre 1995 e 1998 eram encontradas, em média, 46 serpentes (Bothrops insularis) por dia. E, entre 2007 e 2008, o número caiu para 22 serpentes por dia.

04.set.2001/Patrícia Santos/Folha Imagem

Pesquisadores do Butantan dizem que população da serpente, que tem um dos venenos mais poderosos do mundo, caiu pela metade.

As informações estão publicadas na revista “South American Journal of Herpetology”.

A jararaca-ilhoa só existe em Queimada Grande. Como na ilha não há pequenos mamíferos que ela possa capturar, a espécie se adaptou a uma dieta de aves, e desenvolveu um veneno ultratóxico para evitar que o almoço escape.

Pesquisadores vão a Queimada Grande quatro vezes por ano, com patrocínio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Ali eles ficam na companhia da jararaca-ilhoa por cinco dias, sempre com um médico a tiracolo e um barco para garantir que chegarão a terra sem demora caso sejam picados.

Nessas viagens, os próprios cientistas já foram abordados por traficantes de animais. Em março deste ano, por exemplo, a aluna de mestrado da USP Karina Kasperoviczus recebeu uma oferta de um homem em São Vicente. “Ele me ofereceu R$ 25 mil para cada exemplar que trouxesse. Disse que ficaríamos ricos”, contou.

Em outra visita, os cientistas foram informados de que dias antes pesquisadores do Butantan com caixas de isopor estiveram em Queimada Grande para coletar serpentes –entretanto, ninguém do instituto tinha ido ao local no período.

Na lista vermelha de ameaçados de extinção, a espécie já consta como “criticamente em perigo”. A estimativa é que haja cerca de 2.000 animais. Para deixar a contagem mais precisa, começam a ser usados métodos como a marcação de animais com microchip.

A Renctas (ONG que combate o tráfico de animais) disse que já recebeu denúncias anônimas de tráfico de jararacas-ilhoas e que alertou o governo, mas nada foi feito. Elas seriam vendidas para colecionadores de répteis na Europa e Ásia. Alguns sites também ofereciam a cobra. “Ela é considerada a jóia da coroa por colecionadores”, disse Dener Giovanini, coordenador-geral da ONG.

Além disso, existe a possibilidade de a espécie interessar a biopiratas. O veneno da jararaca comum (B. jararaca) já originou drogas como o regulador de pressão arterial Captopril. “Eu tenho certeza de que há tráfico. Só não sei se é um grupo organizado”, disse Marques.

Antigamente, a ilha –localizada a cerca de 35 km da costa sul, entre Itanhaém e Peruíbe– tinha moradores que mantinham um farol em funcionamento. Hoje, o local é desabitado e o farol é automático.

Para Marques, é inviável manter um barco monitorando em tempo integral a ilha –os custos são muito altos. Uma das saídas que ele propõe é fazer da área um parque estadual ou federal e incentivar o turismo para mergulho na região. Os turistas poderia intimidar os traficantes.

Outro plano em negociação é instalar em Queimada Grande câmeras que disparam automaticamente quando alguém passa. Giovanini concorda que é preciso de tecnologia para afastar os criminosos, já que o risco de manter pessoas na ilha é grande. Para prevenir a extinção da jararaca-ilhoa, Marques pretende criar a espécie em cativeiro. Mas ainda busca recursos para concretizar a idéia.

Fonte:  Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u462038.shtml

Golfinho famoso ofusca primos em risco no Brasil

O golfinho-rotador, típico de Fernando de Noronha, é o primo rico dos golfinhos brasileiros. Isso acontece por causa do patrocínio que a Petrobras oferece aos estudos com o animal, que não está em situação de risco, desde 2001.
Cientistas afirmam que, enquanto isso, outras espécies de golfinho do país que sofrem ameaças reais, como as toninhas do Sul, acabam ficando de lado.
Apesar de ofuscadas pelo rotador, há dezenas de outras espécies de golfinhos no Brasil.
Leia mais (05/04/2010 – 17h05)

Caramujos em Itanhaém

Especialista comenta os riscos que os caramujos africanos podem representar para a população

por Renata Fontoura

De acordo com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), as espécies invasoras representam a segunda maior ameaça à biodiversidade em todo o planeta, só perdendo para os desmatamentos. No Brasil, um exemplo com impactos negativos para a natureza, a economia e também para a saúde humana é o caramujo africano, introduzido no país no final da década de 80, importado ilegalmente do leste e nordeste africanos como um substituto mais rentável do escargot. O Departamento de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, que é centro de referência nacional em malacologia médica, atua na identificação do molusco e no estudo das doenças que ele pode transmitir ao homem. Em entrevista, a pesquisadora Silvana Thiengo comenta os reais riscos oferecidos pela espécie e esclarece quais cuidados devem ser tomados pela população.

  Silvana Thiengo mostra parte dos exemplares de caramujos que guarda em seu laboratório (Foto: Ana Limp)
Silvana Thiengo mostra parte dos exemplares de caramujos que guarda em seu laboratório (Foto: Ana Limp) 

O caramujo gigante, ou africano, é uma espécie invasora. Como chegou ao Brasil?

Silvana: A Achatina fulica é uma espécie de origem africana. Temos notícia de que a espécie foi introduzida no Brasil por meio de uma feira agropecuária na década de 80, no Paraná. No entanto, não consta registro de autorização de importação desse material no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O propósito inicial era comercializar a espécie para consumo. Qual o resultado do fracasso desta tentativa?

Silvana: O caramujo africano foi importado para consumo humano, como uma opção ao escargot. Este molusco é consumido principalmente na África e tem suas vantagens nutricionais, como ser rico em proteínas. Na feira realizada no Paraná, foram comercializados kits que incluíam a matriz com um número determinado de exemplares e livretos que ensinavam como iniciar a criação. A promessa era de lucro imediato. Porém, como o brasileiro não tem hábito de consumir este tipo de alimento, a demanda não existiu e os criadores soltaram os moluscos inadvertidamente na natureza, sem imaginar o mal que estavam causando.

Onde o caramujo africano está presente no país atualmente?

Silvana: Cerca de duas décadas depois de ser introduzida, hoje a espécie está presente, além do Distrito Federal, em 23 dos 26 estados, incluindo a região amazônica e reservas ambientais. Atualmente, estamos presenciando a fase mais explosiva da invasão, ou seja, a ocorrência de densas populações, constituídas por grandes exemplares desses moluscos. Apesar de ser um molusco terrestre, observamos no Brasil a presença de A. fulica em margens de rios e em vegetação flutuante. No total de 5.561 municípios brasileiros, há registros da presença do caramujo africano em 439 – cerca de 8%. O maior número de municípios infestados está concentrado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Rio de Janeiro, por exemplo, em junho de 2002 havia registros da presença do caramujo africano em oito municípios. Cinco meses mais tarde, já eram 16 municípios. Em junho de 2006, havia registros em 57 dos 92 municípios do Rio. 

O caramujo africano está presente em ambientes urbanos, mas também em ambientes rurais. Quais os prejuízos neste contexto?

Silvana: Nos ambientes urbanos as populações desses moluscos são muito densas, invadem e destroem hortas e jardins. Além disso, como essas populações são formadas por animais de grande porte [10 centímetros, em média], causam muitos transtornos às comunidades das áreas afetadas. Perdas econômicas têm sido observadas, sobretudo em áreas de produção agrícola em pequena escala onde o caramujo africano pode ser considerado uma praga agrícola. Banana, brócolis, batata-doce, abóbora, tomate e alface são alguns dos itens mais atingidos.

 
 O IOC analisa caramujos enviados por secretarias de Saúde de todo o Brasil (Foto: Ana Limp) O IOC analisa caramujos enviados por secretarias de Saúde de todo o Brasil (Foto: Ana Limp)

A proliferação rápida desses moluscos vem assustando a população. Quais os verdadeiros riscos oferecidos pelo caramujo africano?

Silvana: Existem duas zoonoses que podem ser transmitidas pelo caramujo africano. Uma delas é chamada de meningite eosinofílica, causada por um verme [Angiostrongylus cantonensis], que passa pelo sistema nervoso central, antes de se alojar nos pulmões. O ciclo da doença envolve moluscos e roedores. O homem pode entrar acidentalmente neste ciclo. No Brasil não há registro de nenhum caso da doença, que já foi verificada em ilhas do Pacífico, no Sudeste Asiático, na Austrália e nos Estados Unidos. A segunda zoonose é a angiostrongilíase abdominal, com casos já registrados no Brasil, mas não transmitidos pelo caramujo africano. A angiostrangilíase abdominal [causada pelo parasito Angiostrongylus costaricensis] muitas vezes é assintomática, mas em alguns casos pode levar ao óbito, por perfuração intestinal e peritonite. Em testes realizados em laboratório, Achatina fulica não se revelou um bom hospedeiro, sendo portanto considerado um hospedeiro potencial para o parasita,  causador da angiostrongilíase abdominal – mas, friso, trata-se de um hospedeiro potencial.

Qual o risco de os caramujos africanos passarem a transmitir estas doenças?

Silvana: No atual estado do conhecimento, podemos afirmar que o risco do caramujo africano transmitir estas duas parasitoses é muito pequeno. Mesmo assim, é preciso todo o cuidado ao manusear os moluscos encontrados livres no ambiente, que em hipótese nenhuma devem ser ingeridos.  Além disso, deve-se lavar bem as hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de hipoclorito de sódio a 1,5% [uma colher de sopa de água sanitária diluída em um litro de água filtrada] por cerca de 30 minutos, antes de serem consumidas.

As populações de caramujo africano são muito numerosas. O que explica este fato?

Silvana: As densas populações desse molusco no Brasil devem-se principalmente ao seu grande potencial biótico e à ausência de patógenos específicos. Apesar de serem herbívoros, são muito vorazes e pouco exigentes para se alimentar, comendo praticamente de tudo. Um exemplar pode colocar em média 200 ovos por postura e se reproduzir mais de uma vez por ano. Estes ovos são mais ou menos do tamanho de uma semente de mamão, branco-amarelados e ficam semi-enterrados. Por isso, quando a catação é feita, é preciso estar atento para catar e destruir os ovos também.

Que cuidados a população deve tomar?

Silvana: A principal providência a ser tomada é o controle pela catação. O uso de pesticidas não é recomendado em função da alta toxicidade dessas substâncias. A melhor opção é a catação manual com as mãos protegidas com luvas ou sacos plásticos. Este procedimento pode ser realizado nas primeiras horas da manhã ou à noitinha, horários em que os caramujos estão mais ativos e é possível coletar a maior quantidade de exemplares. Durante o dia, eles se escondem para se proteger do sol.

Como eliminar os caramujos depois da catação?

Silvana: O sal, que seria uma opção para eliminar os moluscos, não é recomendado porque seu uso em excesso prejudica o solo e plantio. O Plano de Ação para o Controle de Achatina fulica do Ibama recomenda que após a catação os moluscos devem ser esmagados, cobertos com cal virgem e enterrados. Outras opções são jogar água fervente num recipiente para matar os caramujos recolhidos ou incinerar, desde que estes procedimentos sejam realizados com segurança. O material pode ser ensacado e descartado em lixo comum, mas é preciso quebrar as conchas para que elas não acumulem água e se transformem em focos de mosquitos, como o Aedes aegypti, vetor do vírus do dengue.

O caramujo africano costuma ser confundido com um molusco nativo brasileiro, o Megalobulimus sp, conhecido como caramujo-da-boca-rosada ou aruá-do-mato. Como é possível distinguir as duas espécies?

Silvana: O Megalobulimus sp é uma espécie da nossa fauna e se parece com o Achatina fulica por seu tamanho. Porém, ele coloca apenas dois ovos em cada ciclo reprodutivo. Como o molusco nativo do Brasil se reproduz pouco, é importante poder distinguir a diferença entre os dois para que a espécie brasileira não seja prejudicada. A concha de Achatina fulica tem mais giros e é mais alongada. Já a concha do Megalobulimus sp é mais bojuda, gorda, tem menos giros e sua abertura é espessa, não cortante.

Como o IOC contribui para o conhecimento sobre o caramujo africano?

Silvana: Nós analisamos caramujos enviados por secretarias de Saúde de todo o Brasil e avaliamos a possível presença de parasitos causadores de doenças. Esta atividade de vigilância epidemiológica é fundamental para monitorar de que forma os caramujos africanos podem oferecer risco à população. Já encontramos larvas de parasitos de aves ou outros animais domésticos, que não têm interesse humano. No entanto, este fato aponta que a população de caramujo africano já está inserida nas áreas onde ocorrem ciclos de parasitos. Esta é a maior preocupação dos pesquisadores, já que, pela proximidade com residências, ele pode vir a se infectar com outras formas e se tornar hospedeiro intermediário de doenças humanas. Também atuamos no treinamento e capacitação de técnicos das áreas de saúde e ambiente sobre o tema.

Quais são as perspectivas para o controle natural dessas populações pelas próprias condições do meio ambiente?

Silvana: Na África, ambiente de origem do caramujo gigante, existem patógenos, como, por exemplo, bactérias, fungos e parasitos, que fazem o controle natural dessa população. No Brasil, onde o caramujo gigante não é nativo, os estudos ecológicos sobre a espécie ainda são incipientes e as perspectivas que temos são baseadas em experiências de outros países, como os Estados Unidos e a Índia. Em algumas regiões da Índia, onde a introdução já ocorreu há mais de 100 anos, não foi observado declínio nas populações desses moluscos.

Já no Havaí a grande explosão do caramujo africano ocorreu poucos anos depois de sua introdução, na década de 30, quando foi introduzido. Hoje, embora não tenham sido eliminados no país, em função de fatores ainda não totalmente conhecidos, já não se encontram mais exemplares grandes como os encontrados aqui e a população diminuiu bastante, estabilizando-se em níveis toleráveis. Esperamos que o que houve no Havaí ocorra no Brasil, mas o fundamental é promovermos o controle pela ação da própria população, por meio da catação e da eliminação dos exemplares, seguindo as recomendações que já mencionamos.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=141&infoid=770&sid=3&tpl=printerview

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